quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

“Se Eu Fosse Você ” de Rubem Alves

O que as pessoas mais desejam é alguém que as escute de maneira calma e tranquila. Em silêncio. Sem dar conselhos. Sem que digam: “Se eu fosse você…” A gente ama não é a pessoa que fala bonito. E a pessoa que escuta bonito. A fala só é bonita quando ela nasce de uma longa
e silenciosa escuta. É na escuta que o amor começa. E é na não-escuta que ele termina.
Não aprendi isso nos livros. Aprendi prestando atenção. Todos reunidos alegremente no restaurante: pai, mãe, filhos, falatório alegre. Na cabeceira, a avó, com sua cabeça branca.
Foto: Para os que VAI, boas noites e boas leituras....

Para os que FICA, muito boas noites....

E para os que não se tocaram.... o VAI por proposital tá? 

E olha que poderia nem estar explicando.... Ah, o gerúndio também foi tá? Total de propósito.
Silenciosa. Como se não existisse. Não é por não ter o que dizer que não falava. Não falava por não ter quem quisesse ouvir. O silêncio dos velhos. No tempo de Freud as pessoas procuravam os terapeutas para se curarem da dor das repressões sexuais.
Aprendi que hoje as pessoas procuram os terapeutas por causa da dor de não haver quem as escute. Não pedem para ser curadas de alguma doença. Pedem para ser escutadas. Querem a cura para a dor da solidão. (…)”
Rubem Alves, em “Se Eu Fosse Você” (do livro “O Amor Que Ascende a Lua”)


 

Nenhum comentário: